Carnaval

Inscrições para samba-enredo da Favela se encerram nesta quinta (10)

A diretoria da Sociedade Recreativa Favela do Samba recebe até esta quinta feira, dia 10 de outubro, propostas de samba-enredo para escolher o hino que será levado para o desfile de carnaval de 2020, cujo objeto é intitulado de “Uma trilha, um caminho, uma estrada, uma metamorfose urbana…. A rua Grande é nossa”, idealizado pelo carnavalesco Pedro Padilha, a partir de proposta do economista e comunicador Eden do Carmo Júnior.

Segundo o edital lançado no último mês de setembro, os candidatos devem apresentar suas propostas com uma gravação previa do samba, copia da letra e preenchimento de uma ficha de inscrição para apreciação de uma comissão julgadora que deverá avaliar o mérito das mesmas em uma eliminatória no dia 19 de outubro e numa sessão final no dia 26 do mesmo mês.

Os inscritos terão até o dia 18 de outubro para realizar ensaios com a bateria Carcará que estará à disposição para realizar as adaptações de arranjos necessários para uma boa performance na eliminatória que acontecerá dia 19, na sede da escola. Como já é do conhecimento público o tema da escola do Sacavém é inspirado na rua Grande, a qual antigamente era conhecida pelo nome de” Caminho Grande”, ou “Rua Mestra”, ou “Rua Oswaldo Cruz” e “Rua Grande”.

Como as inscrições se encerram somente nesta quinta, a diretoria ainda não pode precisar quantas propostas serão inscritas, todavia, já está acordado que na eliminatória do dia 19 de outubro, a metade dos samba inscritos serão descartados, ficando a outra metade para se apresentar na final do concurso, no dia 26 de outubro. O vencedor do concurso vai receber o Troféu Lira de Ouro, o premio em moeda corrente de R$ 2.000,00 (dois mil reais) e a consagração da nação favelense que vai ser embalada pelo samba vencedor no carnaval ludovicense de 2020.

Mais informações podem ser obtidas com a diretoria da Favela do Samba por meio do diretor de Carnaval, João Moraes e pelo Presidente daquela agremiação, Euclides Moreira Neto.

SINOPSE DO ENREDO DA FAVELA

Enredo: “Uma trilha, um caminho, uma estrada, uma metamorfose urbana…A rua Grande é nossa”

Conta a Lenda e depois virou história, que ao som dos tambores, instrumentos primitivos de sopro, dos gritos de festas, dos indígenas das tribos Tupinambás, e dos ecos das matas, o cantar, o barulho das aves nativas… muito antes dos homens brancos, que aqui aportaram “os papagaios amarelos”, em busca de um lugar cheio de sol o ano inteiro, do verde intenso das frondosas matas, das águas serenas e frias dos seus rios e riachos, do colorido das suas aves, e abundancia de comidas das caças… mesmo antes de a cidade de São Luís nascer, sob a bandeira Francesa, um Embrião fecundo, uma semente germinada, nas estranhas da ilha de Upaon Açú… já rasgava entre a densa vegetação dos pés de juçaras, bacuris, etc.… Uma veia de vida, que tinha seu início nas brenhas das matas verdejantes, percorrendo um longo caminho, sobre os riachos e terrenos alagados e em forma sinuosa, como o rastejar de uma enorme Serpente — que como diz a outra lenda, viera a se encantar — adentrando a ilha até encontrar um largo e ali fazer seu destino.

 

Essa sinuosa trilha já era um prenúncio do DNA dessa artéria, que nasceu predisposta a ser uma veia latente para o comércio, onde os índios que se refugiavam no entorno dessa via no interior da ilha de Upaon Acú, vinham para fazer seus escambos com os outros que se refugiavam ao longo da costa do litoral da baia e nas encostas dos rios Anil e Bacanga, e que traziam suas frutas nativas, caças, aves, instrumentos de caça, rituais de guerra e festas em troca de peixes, mariscos e redes… e juntos realizavam festas, danças e celebrações.

 

E quando os homens brancos aqui aportaram essa sinuosa trilha, passou a ter início nesse largo e adentrar no interior da ilha, não tendo um fim definido, nascendo para o mundo, uns anos depois, num parto com direito a nome e sobrenome: Caminho Grande, Estrada Real, Rua Larga e muitos anos depois… Rua Grande e Osvaldo Cruz, e já gravado em seu mapa genético a sua essência natural para o comércio como viria se confirmar no futuro.

 

Por algum tempo esse caminho continuou a servir de escambos dos Indígenas com os homens brancos, trazendo o que produziam, colhiam e caçavam em troca de enfeites, espelhos, tecidos, especiarias… servindo também de via para os Franceses irem em busca de estudo dessa etnia e apoio dos chefes das tribos na luta de resistência aos Portugueses. Depois de o domínio destes, a vinda dos Açorianos e da invasão dos Holandeses, essa mesma trilha foi o caminho percorrido para a perseguição e quase extermínio dos nativos, os empurrando do centro urbano, que já estava em franca expansão e encurtando essa estrada para uma melhor proteção.

 

E o tempo caminhou… e essa via, a grande artéria, entrou em metamorfose constante, a lagarta desabrochou em linda borboleta, transformando-se na vértebra central da cidade, na coluna de sustentação… mesmo dando espaços para casarões de moradias ilustres e ao longo do Caminho Grande às chácaras imponentes, mas sua propensão estava gravada em sua corrente sanguínea: Comércio —de todas as formas e variedades- servindo a princípio de trilha enlameada dos carros de madeiras com suas juntas de bois a escoar as riquezas e produtos agrícolas, principalmente o algodão e a cana-de-açúcar, para locais onde seriam guardados, produtos estes produzidos e colhidos na Ilha ou no interior da Província que ali chegavam pelo porto… e Esse Caminho Grande… Rua Larga… Estrada Real… Rua Grande… Rua Osvaldo Cruz assistiu ao longo do tempo, a força dos braços dos escravos e o rangido dos carros de bois a carregar esses produtos… o surgimento das imponentes moradias, com suas eiras e beiras, das tradicionais famílias, que ergueram seus palacetes… dos frissons dos cinemas e clubes, com suas exibições, festas e bailes de carnavais… das importâncias das escolas, das demonstrações de religiosidades e de fé, do nascimento de nomes ilustres, como a presença de tantos outros que ali moraram e contribuíram para sua história e grandiosidade, com seus conhecimentos, suas criações e experimentos.

 

Ela… Viu da trilha da carruagem de Ana Jansen, aos bondes de tração animal e elétrico, da rua enlameada, aos calçamentos de pedras e paralelepípedos, das procissões de fé (da Igreja de nossa senhora da Conceição e da capela de São José das laranjeiras) às passeatas de protestos, de lutas de teor cívicos e atos de Vandalismo (mesmo que fosse pela busca de um bem maior — a luta pela Meia passagem), dos Passeios das sinhazinhas na Bela época, à torre de babel do comércio informal, dos antigos empreendimentos: farmácias manipuladas, Funileiros, vidraceiros, sapateiros, ourives, padaria e confeitarias, chapelaria, charutaria, atelier, alfaiatarias, modistas… ao burburinho dos camelôs… e de todos os seguimentos de comércio que fazem ela única, às lojas de confecções e tecidos, bancos, eletro eletrônicos, sapatarias, farmácias e drogarias…

 

Ela viu o nascer, o crescer, o transformar, o entristecer… dos prédios marcantes como o do Cine Éden ou o palacete Gentil Braga, que mesmos transformados ainda resistem ou a igreja de Nossa Senhora da Conceição que pereceu em nome do progresso, que só são lembrados nas antigas imagens ou na privilegiada memória de poucos, na alteração de suas faixadas, no sumiço de seus azulejos, nas descaracterizações do nosso patrimônio que tanto nos orgulhou e inúmeros elogios receberam.

 

Mas, antes que todo o silêncio se faça, e que não se ouça mais um célere tambor nas noites da famosa rua, e que a última gota de sangue jorre dessa principal veia, sempre haverá aqueles que sonharão e farão de tudo, para que o antigo Caminho Grande, a inesquecível Rua Larga, A tradicional Rua Grande, a imponente Osvaldo Cruz, tenha todo o seu esplendor de volta, que a sua essência primitiva para o Comércio conviva de maneira pacífica e ordenada com o progresso, com suas raízes, suas belezas, fazendo que todos desta ilha que com certeza um dia já passaram pela sua artéria possam dizer: Esta é uma Estrada real e se sintam parte dela, como a Favela do Samba faz hoje nesta Passarela. A Rua grande é Nossa!

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